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Perfil dos pacientes internados para tratamento de lesões a nível domiciliar numa instituição especializada

O artigo intitulado "“"PERFIL DOS PACIENTES INTERNADOS PARA TRATAMENTO DE LESÕES A NÍVEL DOMICILIAR NUMA INSTITUIÇÃO ESPECIALIZADA” foi apresentado no Sibrad de 2012 pela coordenadora do  Curabem, Dulce Janaina.  O artigo fala sobre o desafio profissional dos enfermeiros, através do tratamento de feridas crônicas e foi feito por Dulce Janaina e Jaciara Sampaio.  Segue abaixo o artigo na integra:

Nome do relator: Dulce Janaina Gomes de Morais

Titulação: Enfermeira/ Pós graduação estomaterapia

Autores:

Jaciara Sampaio de Araújo/ Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Dulce Janaina Gomes de Morais/ Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Claudia Maria de O. Melo/ Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Rua Marquês de Amorin, 444, Ilha de Leite- Recife -PE CEP: 50070-330

PERFIL DOS PACIENTES INTERNADOS PARA TRATAMENTO DE LESÕES A NÍVEL DOMICILIAR NUMA INSTITUIÇÃO ESPECIALIZADA

Introdução

As feridas crônicas tem sido um grande desafio para os profissionais de enfermagem. Segundo Chayamiti et al. (2007), o cuidado dos pacientes com feridas crônicas faz parte da assistência de enfermagem, para isso é necessário habilidade técnica do profissional, além do conhecimento e compreensão do processo patológico e do tratamento adequado.

A avaliação inicial das feridas ocorre a partir da documentação das mesmas, baseado na individualidade de cada paciente. Esta etapa deve acontecer antes do planejamento e implementação do tratamento, pois a eficácia do plano terapêutico depende da anamnese completa do indivíduo e do acompanhamento e avaliação dos fatores sistêmicos e locais da ferida (ARON; GAMBA, 2009).

As ações de enfermagem devem ser fundamentadas no conhecimento científico, na experiência e no pensamento crítico (SANTOS et al. 2008), visto que a enfermeira é a responsável pela avaliação das feridas. No entanto, baseia-se na maioria das vezes em evidências pouco seguras, podendo acarretar falha na apresentação de informações precisas (CHAYAMITI et al. 2007).

Com o objetivo de caracterizar os pacientes internados numa instituição especializada para tratamento de feridas crônicas, procurou-se destacar no presente estudo os diagnósticos principais de cada paciente, identificando os tipos de feridas e coberturas utilizadas, bem como a evolução de cada caso, com a finalidade de proporcionar uma assistência de enfermagem cada vez mais especializada.

O interesse pelo tema originou-se de uma experiência vivenciada dentro de uma unidade de saúde voltada para o tratamento de feridas crônicas, no intuito de analisar melhor o tratamento de escolha utilizado em cada ferida a partir dos prontuários, contribuindo assim para uma assistência de maior qualidade a essa clientela.

Objetivos

Analisar o perfil dos pacientes internados para tratamento de lesões a nível domiciliar numa instituição especializada, caracterizando a amostra quanto à idade e sexo; descrevendo os tipos de feridas, classificando-as quanto à profundidade, localização, causa e a evolução do tratamento.

Metodologia

O tipo de pesquisa corresponde a um estudo descritivo, exploratório, com uma abordagem quantitativa. O estudo foi realizado na INTERNE Soluções em Saúde, no setor especializado no tratamento de lesões - CURABEM, (programa preditivo, preventivo e de tratamento de lesões, estomias, dor crônica e consultoria), localizado na Rua Marquês de Amorim, 444, Ilha do Leite, Recife, no período de 2010 e 2011. A população foi constituída por 50 prontuários dos pacientes internados para tratamento

de feridas crônicas no período de 2010 e 2011, pertencendo a ambos os sexos e qualquer faixa etária, escolhidos aleatoriamente, como critério de inclusão pacientes portadores de lesão de qualquer etiologia, como critério de exclusão pacientes portadores de estomias. Foram utilizados os prontuários dos pacientes internados durante o período de 2010 e 2011. Para isso os pesquisadores utilizaram uma planilha constando os tópicos que delinearam os objetivos do estudo. O estudo foi realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Funeso (Fundação de Ensino Superior de Olinda), preservando a garantia do sigilo sobre as informações contidas nos prontuários dos pacientes envolvidos. Desta forma cumpre-se a observância dos aspectos preconizados na Resolução 196/96 (Brasil, MS 1996), que trata dos princípios éticos da pesquisa envolvendo seres humanos e respeito à legislação vigente. O estudo é de suma importância no que diz respeito à análise dos procedimentos registrados em prontuário pela equipe de saúde, relacionados ao cuidado do paciente portador de feridas crônicas, não havendo experimentos com seres humanos.

Trará benefícios, uma vez que, através dela será possível elaborar um plano assistencial para as pessoas portadoras de feridas crônicas, além de fornecer subsídios para a equipe de enfermagem no que se refere à assistência aos pacientes portadores de feridas crônicas cada vez mais qualificadas. Os dados obtidos através da pesquisa foram analisados quantitativamente através de tabulação manual e apresentados na forma de figuras e tabelas em freqüência absoluta e relativa. Foi utilizado o programa Excel versão 2003/2007.

Resultados

Os prontuários analisados demonstraram que em 2010 34% dos pacientes eram do sexo masculino e 20% do sexo feminino, totalizando 54% da amostra. Já em 2011, 38% eram do sexo masculino e 8% do sexo feminino, com um total de 46%. A faixa etária mais acometida foi a dos pacientes com idade entre 61 e 80 anos (34%), seguido da faixa etária de 41 a 60 de idade (28%). A faixa etária predominante justifica o tipo de lesão mais frequente (úlcera por pressão 56%), seguida das lesões traumáticas (14%), vasculares (14%) e pós-operatórias (16%). Estima-se que em 2020, a população idosa poderá ultrapassar 30 milhões de pessoas, podendo vir a apresentar 13% da população (YAMAGUCHI et al, 2010).

A partir dos dados expressos verificou-se que 40% das lesões são sacrais, 30% são de MMII e 10% abdominais. Pesquisas indicam que 95% das úlceras por pressão se desenvolvem sobre proeminências ósseas na metade inferior do corpo, em regiões sacrais, tuberosidades isquiáticas, calcâneo e trocantérica maior do fêmur, pois nessas áreas concentram o maior peso corporal, consequentemente há um aumento da pressão em relação à superfície (GOULART et al, 2012). Pacientes com doenças vasculares e aqueles submetidos a cirurgias prolongadas, nas quais a posição supina é indicada, o risco de úlcera por pressão é maior porque a perfusão tecidual fica comprometida pelo processo primário da doença, desenvolvendo-se mais facilmente, principalmente as sacras, coccíneas e calcâneas (ROGENSKI e SANTOS, 2005).

Observou-se que 20% das lesões em MMII e 18% das lesões sacrais encontravam-se em estágio III, ou seja, as feridas em estágio III são aquelas que envolvem o tecido subcutâneo. Uma equipe especializada deve atuar de modo que a assistência prestada seja desenvolvida de forma ativa e integral, visando garantir a

melhoria da qualidade de vida do cliente e, é neste sentido, que a atuação da enfermeira se mostra preponderante. Por essa intervenção ser constante, em especial no que se refere à realização de curativos e acompanhamento dessas lesões (GOMES, IP; CAMARGO, TC, 2004).

Em se tratando do tempo decorrido entre o início do tratamento e a cura do paciente, observou-se que 52% finalizaram o tratamento entre 60 e 90 dias, 20% concluíram o tratamento em mais de 120 dias, restando 12% que continuam em tratamento. Atualmente o programa funciona com estudos constantes sobre o CPC (ciclo perfeito da cura), onde através destes números podemos comprovar a eficácia e eficiência do programa que surgiu no mercado desde janeiro de 2010, estando em estudo há aproximadamente 4 anos, no inicio o tempo de cura era de aproximadamente 400 dias, hoje reduzido o tempo de cura a 77,5%.

Conclusão

Este estudo procurou fornecer um diagnóstico situacional parcial de um Programa especializado no tratamento de lesões, onde foi comprovada a hipótese assumida inicialmente, aponta para a necessidade de manter o seu capital humano que formam a equipe, constantemente atualizada e com desenvolvimento de estudos constantes, como foi citado o CPC, com a finalidade de traçar soluções efetivas para a clientela. Há uma prioridade urgente de se estabelecer parâmetros que identifiquem as falhas decorrentes do processo de registro e coleta de dados diários desses pacientes. Espera-se assim, que os resultados dessa investigação possam contribuir para o aprofundamento dos conhecimentos em Estomaterapia e na implementação de critérios de avaliação podendo assim reduzir o tempo de cura relacionado ao tratamento das lesões.

Referências

GOMES, IP; CAMARGO, TC. Feridas tumorais e cuidado de enfermagem. R Enferm UERJ 2004; 12:211-6.

ROGENSKI, NMB; SANTOS, VLCG. Estudo sobre a incidência de úlceras por pressão em um hospital universitário. Rev. Latino-am Enfermagem 2005 julho-agosto; 13(4): 474-80.

GOULART et al. Prevenção de úlcera por pressão em pacientes acamados: uma revisão da literatura. Disponível em: http://www.faculdadeobjetivo.com.br/arquivos/PrevencaoDeUlcera.pdf. Acesso em 28/02/2012.

CHAYAMITI et al. Manual do serviço de assistência domiciliar. Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, Novembro, 2007.

YAMAGUCHI et al. Assistência domiciliar: uma proposta interdisciplinar. Barueri, SP: Manole, 2010.

ARON; GAMBA. Preparo do leito da ferida e a história do TIME. Rev. Estima 2009; out/nov/dez (4): 20-24.

SANTOS et al. Cuidados de enfermagem no tratamento de feridas: uma pesquisa bibliográfica. Rev. Estima 2008; out/nov/dez (4): 09-12.