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Brasileiro está dormindo menos e mal, aponta pesquisa


Muitas pessoas tentam compensar a falta de tempo dormindo menos. Médicos alertam que a falta de sono pode causar danos sérios a saúde Globo Repórter - Edição do dia 06/05/2011 .

O tempo é o limite. Parece que voa a cada dia que passa. Nós passamos um dia inteiro acompanhando a rotina da professora de dança e dona de casa Clarice Maia, em Niterói, no Rio. Ela é mãe de dois filhos: Maitê, de 19 anos, e Nícolas, nove. Clarice tomou uma decisão difícil: "Perdi um pouco de dinheiro, mas não foi só para ganhar tempo. É a qualidade desse tempo", explica Clarice.

Qualidade ou quantidade - eis a questão do tempo para Clarice. "Este ano, eu defini que a minha manhã é para o Nícolas. Ele me pediu isso. Eu começo a trabalhar quando ele vai para a escola."

Quantas decisões e quantas dúvidas no ar. O tempo é o desafio nosso de cada dia. Hoje, a terra gira em torno do relógio. São muitos compromissos; 24 horas já não bastam para nós? Só mesmo parando para pensar. Como funcionam nossos relógios internos, aqueles que nos permitem ter uma percepção do tempo que passa mesmo quando não há relógios externos para nos orientar? Cada um de nós, mesmo sem saber, "programa o tempo" de acordo com as experiências que vivemos. "Pelo menos metade do nosso tempo acordado, nós estamos ou no passado ou no futuro.

Essa viagem no tempo é fundamental para tomada de decisões", diz o neurocientista Marcus Vinicius Baldo. Certamente pesando os prós e os contras do que já viveu no passado, Clarice tomou a nova decisão que muda a vida da família no presente e no futuro. "Eu me sinto muito Í vontade de abrir mão financeiramente para poder estar com ele", diz. "Ele precisou desse tempo. Eu preciso estar ali." Ou perto dali. Enquanto Nícolas tem atividades na parte da manhã, onde está Clarice? "Vou ao mercado ou vou ao banco pagar uma conta", relata Clarice. Em uma manhã, por exemplo, Clarice só parou para ver o filho Nícolas na aula de tênis. "Eu, trabalhando o que eu trabalhava, não ia dar conta de atender a ele", conta.

Depois do tênis, Clarice leva o filho para almoçar na escola. Não dá tempo de voltar em casa. Eles estão experimentando a nova rotina. Depois do almoço, mãe e filho se separam. Nícolas na escola, Clarice no trabalho. "Quando ele termina a escola, eu não terminei de trabalhar ainda. Então ele vai encontrar comigo onde eu estiver. Dentro de uma escola onde estou dando aula ou na academia. E me aguarda para podermos voltar para casa", diz Clarice. A missão está cumprida no fim do dia. A família está reunida. Até amanhã. "No dia de aula particular, ele acorda às 7h30, e com muito sacrifício, até por conta da noite. Ele fica muito agitado. Ele dorme um pouco tarde, às 22h30 ou 23h. É a hora que estou conseguindo colocar ele para dormir", comenta Clarice. Nícolas não é o único que anda dormindo tarde e, talvez, pouco. No Instituto do Sono, fomos saber como os brasileiros estão "desligando o relógio".

A pesquisa foi feita em São Paulo e estudou por quatro meses o comportamento, durante o sono, de 1.042 pessoas. A conclusão: o tempo de repouso do brasileiro é cada vez menor, e a qualidade, cada vez pior. Menos tempo de sono provoca o quê? "Alteração de memória, atenção, sonolência. Com risco de acidente no outro dia: quem dorme pouco em qualidade são mais propensas a problemas cardíacos, ganho de peso, diabetes e alterações imunológicas. O organismo como um todo sofre com a privação do sono", alerta Lia Bittencourt, coordenadora do Instituto do Sono. Quem diria que uma boa noite de sono emagrece e faz crescer. "À noite, é secretado o hormônio do crescimento. Então, se a criança dorme pouco, ela tende a ser mais baixinha, e é muito comum o déficit de atenção e aprendizado por sono encurtado", acrescenta a médica. Tamanho é documento quando se trata de tempo.

Crianças e adultos estão sempre às voltas com os desafios do dia a dia. E as mães de primeira viagem? Elas estão buscando o caminho. Universidade também é lugar de brincar. A PUC de São Paulo tem uma brinquedoteca. "As crianças acabam descobrindo coisas muito interessantes. Às vezes, até brincando no jardim e vedo uma formiga passar. Observam que as formigas vão colocando alimentos nos buracos. No dia a dia, você precisaria de uma aula específica de ciências para ensinar isso. Curiosas como são, elas vão descobrir muitas coisas", esclarece Ângela Barbato, pedagoga da PUC de São Paulo. Há uma preocupação dos pais, hoje em dia, em preparar os filhos para o mercado de trabalho. Isso é bom por um lado, é claro, mas as crianças, por outro... "Elas ficam prejudicadas porque coisas que elas não têm tempo de fazer as coisas que gostam", completa Ângela. "A criança precisa brincar. Há anos você não via criança depressiva. Hoje, o número tem aumentado, até porque aumenta a pressão sobre elas, da cobrança sobre inúmeras atividades que substituíram na realidade aquilo que é de fundamental importância: a atividade do brincar. Brincar é seríssimo."

Veja matéria na integra, link para o vídeo:

http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/05/brasileiro-esta-dormindo-menos-e-mal-aponta-pesquisa.html

Veja também: Revista

Universidade da Paraíba http://revista.uepb.edu.br/index.php/pboci/article/viewFile/287/206