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10 a 15% das crianças ressonam

Imagem web meramente ilustrativa

Como forma de assinalar o Dia Mundial do Sono, a Associação Portuguesa do Sono (APS) lançou no dia 15 de Março uma campanha de sensibilização com o objectivo de alertar pais, educadores e professores, para a problemática do ressonar na criança e importância de uma intervenção precoce.

Helena Estevão, médica pediatra especializada no sono, explica que "“"o ressonar tem frequentemente um significado patológico e pode ter diversas causas, das quais a mais frequente, na criança, é a hipertrofia das amígdalas e das adenóides”. Vários outros factores podem contribuir para agravar o quadro, sendo de salientar a obesidade que tem vindo a ganhar uma importância crescente. O ressonar é o sintoma mais comum da perturbação da respiração durante o sono em idade pediátrica (do pequeno lactente à adolescência).


Estima-se que "“"entre 10 a 15% das crianças ressonem", sendo no entanto mais frequente em idade pré-escolar e escolar. Sempre que uma criança ressona de forma habitual, ou seja, se ocorrer durante três ou mais noites por semana, devem ser pesquisados outros sintomas ou sinais que permitem avaliar o grau da perturbação respiratória do sono (PRS).  A PRS tem um amplo espectro clínico, sendo a síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) a sua forma mais grave. Das várias consequências do ressonar durante a infância, salientam-se o atraso da progressão do peso, sono perturbado e alterações do comportamento como a hiperactividade nas crianças mais jovens e sonolência nas mais velhas. Défice de concentração, dificuldades de aprendizagem e hipertensão arterial são outros problemas que podem aparecer devido ao ressonar. Além disso, a falta de tratamento pode condicionar um arrastamento das consequências podendo algumas tornar-se irreversíveis e estender-se até à idade adulta.


Para evitar estas complicações nas crianças e jovens, a APS quer chamar a atenção para a necessidade de uma intervenção precoce que pode ser efectuada a vários níveis. Desde a prevenção primária, que começa na amamentação e na promoção de hábitos de vida saudáveis (alimentação, exercício físico, evitar o fumo de tabaco) até aos vários tipos de tratamento que devem ser instituídos de forma atempada.


Segundo os especialistas, os sintomas  e sinais que devem ser tidos em conta quando associados ao ressonar são:
Durante o sono - pausas respiratórias (apneias); respiração ruidosa ou predominantemente pela boca; noção de esforço respiratório; sono agitado; despertares frequentes; transpiração excessiva; enurese; sonambulismo; pesadelos; posições bizarras e/ou queixas de insónia;


Durante o dia ? dificuldade em acordar; queixas de dor de cabeça ou falta de apetite pela manhã; sonolência excessiva (exemplos: necessidade de sesta em idades em que já não é habitual e/ou adormecer na escola); alterações de comportamento como irritabilidade, hiperactividade ou agressividade e dificuldades de aprendizagem.


Na observação da criança, alguns sinais devem ser valorizados como alterações a nível da face, nariz, boca e até na dentição.


A Associação Portuguesa do Sono dá algumas dicas para ajudar Pais, Educadores/ Professores e Médicos a estarem mais atentos a este problema:

  • Pais ? sempre que a criança ressonar de forma regular devem alertar o médico de família ou pediatra;
  • Educadores de infância e professores ? sintomas como hiperactividade, dificuldades de concentração, sonolência excessiva, devem ser reportados aos pais;
  • Médicos de família e pediatras ? questionário obrigatório sobre as características do sono em todas as consultas de vigilância de saúde infantil; medidas de prevenção geral: higiene adequada do sono, alimentação equilibrada, evitar o  fumo de tabaco; investigação precoce na suspeita de PRS; tratamento geral e orientado logo que confirmada a PRS.

Com o objectivo de despertar a população para este problema que tem sido desvalorizado, a APS desenvolveu uma brochura informativa que teve a colaboração do Prof. C. Guilleminault (EUA, Stanford), primeiro autor a identificar esta entidade clínica em 1975, e do Dr. O. Bruni (Itália, Roma), Presidente da International Pediatric Sleep Association (IPSA).


A brochura será difundida nos sites da APS e da WASM (World Association of Sleep Medicine). Em Portugal, será distribuída em Centros de Saúde, Hospitais e alguns Consultórios pediátricos, de norte a sul do País. A informação será também difundida pelas várias Direcções Regionais de Educação.


Fonte: http://www.rcmpharma.com/actualidade/saude/18-03-13/10-15-das-criancas-ressonam