O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

O incômodo ronco é a queixa mais comum


Fonte: O Diário.com

O brasileiro está dormindo menos e mal. Em 20 anos, o número de queixas da dificuldade em ter um sono tranquilo aumentou entre homens e mulheres - mais entre elas. O estilo de vida agitado dos grandes centros prejudicou a qualidade e a duração do sono.  A exposição às luzes artificiais e as pressões econômicas, por exemplo, encurtaram o tempo que as pessoas passam na cama. Agora, elas estão dormindo mais tarde durante a semana, condição que diminui a duração do sono nos dias úteis (de segunda à sexta-feira) e aumenta durante os fins de semana.

Estudos mostram que passar mais tempo dormindo nos sábados e domingos é uma forma de pagar a dívida do sono. Esse é o resultado de uma pesquisa do Instituto do Sono, em São Paulo, que ouviu mais de mil pessoas na capital paulista. O ronco foi a queixa mais comum dos entrevistados e foi por causa dele que o professor de tênis em Maringá, Adinivaldo da Silva Ribeiro, 54 anos, procurou um médico.

Eliane, com quem é casado há 20 anos, foi quem o alertou sobre o ruído durante as noites. "Ela reclamava e por isso fui ao médico", comenta, citando que há 1 ano e meio as crises se tornaram mais frequentes. "Quando falei para o doutor que eu roncava ele me encaminhou para um especialista."

Na última quarta-feira, Ribeiro fez a polissonografia, exame que avalia o sono do paciente, por meio de sensores fixados ao corpo. O ronco é o único incômodo nas noites de sono do atleta. Ele não se queixa de insônia ou dificuldades para dormir. "Mas é melhor investigar porque a gente não sabe se isso pode acarretar outros problemas", diz.

O estudo revelou também que os distúrbios do sono - insônia, ronco, apneia, pesadelos, bruxismo, cãibras, sonambulismo e sonolência diurna - estão mais frequentes hoje do que há 20 anos. Com exceção do ronco, as demais queixas são mais frequentes entre as mulheres. As mulheres são as que mais reclamam de insônia. O distúrbio pode estar associado a vários fatores: doenças psiquiátricas, alimentação pesada à noite, problemas respiratórios e consumo alto de café, álcool e cigarro à noite.

A psiquiatra Darley Machado recomenda que as pessoas diminuam as atividades ao anoitecer. "[Isso é para que] o cérebro reduza lentamente o seu funcionamento para que às 21 ou 22 horas a pessoa consiga ter sono", diz. "Academia, trabalho e computador despertam o cérebro, que precisa de um tempo para ir desacelerando."

Ela explica que há três tipos de insônia: aquela que a pessoa deita, mas demora a dormir; a que a pessoa dorme, mas acorda no meio da noite; e a insônia que ela dorme até as 5h, acorda e não consegue pegar no sono de novo. O tratamento da insônia vai depender do fator que a provocou. Em Maringá há duas clínicas que fazem o exame do sono. O medicamento só é indicado conforme a causa da dificuldade de dormir. A psiquiatra faz um alerta para o uso indevido dos calmantes. "O ideal é não tomar remédio algum sem investigar a causa. A princípio [usar os medicamentos por conta própria] parece ser boa estratégia, mas não é porque a doença base da insônia não está sendo tratada".

A apneia é típica dos homens com mais de 50 anos. A doença consiste na interrupção da passagem de oxigênio. "O sono se torna fragmentado, mas a pessoa não tem consciência que acorda no meio da noite", diz o dentista Paulo Nabarro, especialista em Medicina do Sono. Ele explica que a doença está relacionada ao excesso de peso, fumo, álcool, uso de sedativos, problemas nas vias aéreas superiores e alterações bucais.

Os primeiros sinais de que a pessoa sofre de apneia do sono são sonolência excessiva durante o dia, indisposição, irritabilidade, cansaço e esquecimento. Se não tratada, as consequências da doença são graves. "Como o oxigênio não chega ao cérebro, o paciente sente dor de cabeça matinal, memória nebulosa e deterioração intelectual", enumera Nabarro. O baixo nível de oxigênio também afeta o coração, que bate mais forte e eleva o risco de problemas cardíacos.

São três formas de tratamento da apneia: cirurgia, uso de uma máscara que projeta o ar e facilita a respiração ou de aparelho intraoral à noite, que libera a passagem do ar. Restringir 4h de sono todas as noites diminui pela metade a resposta às vacinas, prejudica o controle da glicose e interrompe o apetite regular. Experiências recentes mostram que o sono curto está associado também à obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Não existe regra para o número de horas de sono por dia. "Há gente que se sente satisfeito com 4h de sono, outras precisam de 12h". Nabarro cita que com o passar da idade é natural que as horas de sono sejam menores. Já os adolescentes, muitas vezes taxados de preguiçosos, precisam de mais horas de sono porque é na madrugada que o hormônio de crescimento é produzido.

Para mais informações acesse: http://maringa.odiario.com/maringa/noticia/466206/o-incomodo-ronco-e-a-queixa-mais-comum/