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Ronco


Tire 11 dúvidas sobre o ronco

Ele é recordista de reclamações noturnas. O ronco, além de atrapalhar o sono de quem está ao lado, também pode ser um problema de saúde. Segundo a Associação Brasileira do Sono, 24% dos homens e 18% das mulheres de meia-idade emitem os incômodos ruídos noturnos. Acima dos 60 anos, os números sobem para 60% deles e 40% delas.

Apesar de muito comum, você sabe exatamente o que é o problema, suas possíveis causas e consequências? Navegue pelo infográfico e tire essas e outras dúvidas com respostas da pneumologista especialista em medicina do sono Sonia Togeiro, do Instituto do Sono; e da otorrinolaringologista especialista em medicina do sono Beatriz Lana.

1-      O que é ronco?

O ronco é um ruído causado pela passagem de um fluxo de ar pela via aérea com alguma obstrução.

2-      O que pode causar o ronco?

Entre as possíveis causas estão obstrução parcial na orofaringe causada pelo excesso de gordura na região do pescoço (que comprime a faringe), aumento das amídalas palatinas e adenóides, desvio de septo, carne esponjosa, língua volumosa, queda da epiglote (responsável por proteger a entrada do pulmão dos alimentos deglutidos), alterações da face e dentes (como queixo mais para dentro ou arcada dentária que não comporta o volume da língua), obesidade, hipotireoidismo. Há pessoas que só roncam quando ingerem bebidas alcoólicas ou usam relaxantes musculares e isso ocorre porque, quanto mais a musculatura estiver relaxada, mais há predisposição ao ronco.

3-      Em algumas circunstâncias, o ronco é classificado como inofensivo?

Segundo a otorrinolaringologista Beatriz Lana, o ronco inofensivo é aquele em que não há apneia (parada respiratória de pelo menos 10 segundos) ou hipopnéia (redução do fluxo de ar) associadas e nem outros sintomas de sonolência residual. Ao apresentar somente ronco, o paciente tem um problema social, ou seja, incomoda os outros enquanto dorme, e pode ter dores e ressecamento na garganta frequentes. Interpreta-se como ronco patológico, de acordo com a pneumologista Sonia Togeiro, quando é muito alto e frequente, na maioria dos dias da semana. Para saber a gravidade do quadro, é preciso fazer uma avaliação do sono por meio da polissonografia.

“Sabemos que a doença do ronco e a apnéia do sono podem ser evolutivas e que a pessoa que apresenta apenas ronco hoje pode ser um apneico no ano seguinte, principalmente se ganhar peso”, disse Beatriz. “Idosos em geral roncam mais que não-idosos e isso pode estar relacionado à idade, mas nada impede que essas pessoas apresentem ronco patológico”, acrescentou Sonia.

4-      O ronco pode ser um sintoma da síndrome da apnéia obstrutiva do sono?

Há sempre o risco de quem ronca muito apresentar a síndrome, que se caracteriza pela presença de apnéias (paradas respiratórias superiores a 10 segundos) durante o sono associadas a sintomas como sonolência diurna, ronco intenso, acordares recorrentes durante o sono, episódios de sufocação noturna.

5-      Quais fatores podem agravar o ronco?

O ganho de peso e uso de álcool podem agravar o problema. Com o ganho de peso, aumenta o índice de massa corporal e ocorre um estreitamento das vias aéreas na área da faringe. Já o álcool relaxa mais a musculatura, que fica mais flácida e vibra mais com a passagem do ar. Alguns medicamentos e a redução de hormônios femininos (menopausa) também afetam os músculos faríngeos responsáveis pela abertura da faringe. O estresse não afeta o ronco, mas sim dormir pouco, como informou a pneumologista Sonia Togeiro.

6-      Por que algumas crianças roncam?

O ronco infantil também precisa ser avaliado por um médico e pode ser causado por obstrução nasal devido à rinite/sinusite e aumento das adenoides, amídalas e carnes esponjosas. “Em geral, o quadro não é grave, mas pode prejudicar a vida da criança”, disse a pneumologista Sonia Togeiro.

Segundo uma pesquisa liderada pelo neuropsicólogo Dean Beebe e divulgada pelo jornal Daily Mail, crianças que roncam alto pelo menos duas vezes por semana são mais propensas a problemas de comportamento, incluindo hiperatividade, desatenção e depressão. “Dificuldades respiratórias e padrões de sono ruim, que sustentam o ronco, podem explicar a ligação”, disse Beebe.

7-      Por que grávidas podem passar a roncar?

Com a alteração hormonal da gestação, pode haver maior resistência na passagem de ar pelas vias aéreas, segundo a otorrinolaringologista Beatriz Lana. Isso somado ao ganho de peso pode piorar ou iniciar um ronco primário. De maneira geral, as grávidas não têm apneias do sono em grau significativo, como informou a pneumologista Sonia Togeiro. O problema deve ser avisado ao médico e o tratamento pode consistir no controle do peso.

Vale acrescentar que cientistas da Faculdade de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, Estados Unidos, constataram que as futuras mamães que apresentam o problema por, no mínimo, três noites na semana, estão mais propensas a desenvolver diabetes gestacional. O estudo avaliou o sono de 189 mulheres no momento da inscrição (com seis a 20 semanas de gestação) e no terceiro trimestre. As que roncavam frequentemente tiveram 14,3% de chances de desenvolver o problema, enquanto as outras apenas 3,3%. Os dados são do Science Daily.

8-      Ao ouvir reclamações de que ronca, a pessoa deve sempre procurar um médico?

Sim, é importante avaliar se o ronco está associado à apneia do sono. Há tratamento também para o ronco sem apneia, que acaba separando parceiros de quarto. Uma pesquisa conduzida pela psicóloga inglesa Donna Dawson apontou que, de cada 100 casais, 25 dormem em camas separadas devido a problemas noturnos, sendo o ronco o principal deles.

9-      Como é diagnosticado o ronco?

Muitas vezes, a pessoa já chega ao consultório sabendo que ronca pela informação de familiares e de amigos. São necessários exame completo das vias aéreas, índice de massa corpórea e avaliação de outras doenças, como diabetes e colesterol alto. A endoscopia do nariz e da garganta, a polissonografia (exame do sono) e os exames de imagem também são necessários.

10-   Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento depende da causa do ronco. Se for obesidade, a perda de peso pode resolver o problema. No caso de aumento das amídalas e adenoides, normalmente é feita a retirada cirúrgica. Também devem ser corrigidos hábitos como ingestão de álcool, hipnóticos e dormir pouco. Na presença de apneia do sono, em grau moderado e grave (classificado pelos sintomas e pela polissonografia), deve ser usado o CPAP, que é um aparelho compressor de ar, que abre a faringe. Se a apneia for leve, a indicação é aparelho oral que protrai a mandíbula e, com isso, reposiciona a língua. Há cirurgias para casos em que a mandíbula é retroposicionada ou de tamanho reduzido.

11-   Se não tratar o ronco, quais são as possíveis consequências?

O ronco pode ser um sinal de apneia do sono ou evoluir para ela, e as consequências da apneia podem ser graves, como sonolência (que causa acidentes), hipertensão arterial, arritmias cardíacas, alterações da memória.

Um estudo da Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, analisou 6,4 mil homens e mulheres e relacionou ronco alto e sono difícil a uma menor expectativa de vida. Pessoas que sofrem com dificuldades para respirar durante o sono têm 50% mais chances de morrer antes de alguém da mesma idade que não passa pelo problema. Isso justamente por conta da prevalência de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

 

Fonte:http://saude.terra.com.br/infograficos/ronco-duvidas/