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Busca descontrolada por músculos pode comprometer as funções cardíacas


Além disso pode levar ao isolamento social. O exagero na academia é abastecido por uma dieta rica em proteína


Malhação intensa. Na mesma veemência, a preocupação com o corpo e com a alimentação. A combinação, que, para muitos, representa a vontade de turbinar a aparência, pode desencadear uma doença silenciosa e pouco conhecida. Chamado de vigorexia, o distúrbio é evidenciado em homens pelos músculos exuberantes, mas conquistados com dedicação desmedida à academia e, em alguns casos, moldados por carências nutricionais.

Apesar de comerem muito, os vigoréxicos adotam dieta restrita, dando prioridade a alimentos que potencializam o ganho de massa muscular. As proteínas costumam largar na frente, seguidas pelos suplementos proteicos. A obsessão começa aos poucos, quando as horas recomendadas de exercício físico já não são suficientes para as pretensões estéticas.

De acordo com Cangelli, a preocupação com os músculos é tamanha que os vigoréxicos costumam trocar as demais atividades sociais pela academia. O isolamento pode desencadear quadros de ansiedade e de depressão. “A felicidade é momentânea, com o sucesso inicial do corpo malhado. Logo, passa a ser algo sem sentido, pois o homem nunca acredita ter alcançado o objetivo proposto. A partir daí, ele lança mão do uso de esteroides e anabolizantes, colocando a saúde ainda mais em risco.”

O isolamento também é paradoxal, já que, por trás da vontade incessante de ter um corpo escultural, está a insegurança social, segundo Raphael Cangelli Filho. O psicólogo explica que muitos vigoréxicos sentem vergonha do corpo e são introvertidos. Por isso, acreditam que, se tivessem um modelo de corpo forte, poderiam ser mais sociáveis. Dessas inseguranças, surgem as fobias e a dedicação desmedida ao espelho. As reações se estendem ao desinteresse sexual, ao cansaço constante e à dificuldade de concentração.

“A forma disfuncional da prática de atividade física é um dos primeiros motivos para desconfiar que a saúde mental pode estar comprometida. Temos visto isso com frequência e, na maioria das vezes, as pessoas acham normal. Mas é dentro dessa normalidade que está o perigo”, alerta o psicólogo Raphael Cangelli Filho, coordenador do Grupo de Psicologia de Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas, em São Paulo.


Fonte: Diario de Pernambuco