O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

"Deixei o consultório para atender os pacientes em suas próprias casas"

O ortopedista Masayuki Nakagawa conta como é o dia-a-dia de um médico 'home care'; serviço tem crescido no Brasil


Sem endereço de trabalho fixo, Nakagawa carrega uma agenda com horários de visita em cada paciente da região do ABC

Foi há muitos anos, numa viagem ao Canadá, que o ortopedista Masayuki Nakagawa conheceu de pertinho o “home care”, um tipo de atendimento que já era comum no sistema de saúde de lá, mas que ainda era bem incipiente por aqui. 

Quando voltou ao Brasil, continuou pensando no assunto e finalmente decidiu. Deixou o consultório de ortopedia e migrou para a especialidade que cuida dos doentes em suas próprias casas. De lá para cá, a área de atenção domiciliar tem crescido exponencialmente e hoje já atende a mais de um milhão de pessoas no País. 

Na lista de pacientes de Nakagawa estão pacientes que demandam cuidados, mas que estão estáveis. Isto significa que em vez de o doente se deslocar para um consultório ou permanecer internado em um hospital com restrições de visitas, ele pode ser perfeitamente cuidado dentro da própria casa. 

Mas esse novo tipo de prática médica não é isenta de problemas – principalmente para os médicos. Convencer a própria família do doente que o home care oferece exatamente o mesmo tratamento que ele receberia se estivesse no hospital, não é fácil. Mesmo com a vantagem de minimizar o risco de contrair bactérias resistentes comuns nos ambientes hospitalares, é comum a família ser resistente no início. 

Com o tempo, no entanto, a situação muda. De vez em quando, enquanto o paciente é consultado, algum membro da família já aproveita a “visitinha do doutor” e questiona sobre a própria saúde também. Nakagawa não vê problema, afinal, ele se torna quase um médico de família, tamanha relação de amizade. 

A consulta domiciliar é exatamente como a que acontece no consultório. Ao fim, o médico, se necessário, solicita aparelhos de raio-x para a casa do paciente, bem como coleta laboratorial, como em casos de exames de sangue. 

Em alguns casos, quando o paciente morre, a família mantém contato com ele pela confiança. A maior parte dos atendimentos de Nakagawa (80%) se concentra em idosos que têm infecções urinárias e pulmonar. A outra parte se divide entre crianças com problemas genéticos e metabólicos e adultos que sofreram acidentes e ficaram tetraplégicos. 

 

Vida de médico 

Sem endereço de trabalho fixo, Nakagawa carrega uma agenda com horários de visita em cada paciente da região do ABC paulista, na grande São Paulo, onde atua. Sua maior dificuldade é a mesma que enfrentam boa parte dos paulistanos: o trânsito caótico. 

O médico atua de segunda à sexta-feira, com plantões esporádicos aos finais de semana. E, segundo ele, o trabalho compensa financeiramente bem mais do que se tivesse um consultório próprio. De R$ 40 a R$ 80 que ele receberia dos convênios, ele recebe R$ 150 para cada atendimento domiciliar – e as despesas são menores do que manter um local de trabalho próprio, que envolveria aluguel e outras contas fixas. 

Mais do que financeiramente, Nakagawa diz que a retribuição gentil de um paciente é que o satisfaz. “Acertar o diagnóstico, acertar a medicação, ouvir as pessoas dizendo que você conseguiu contribuir para uma melhora delas é a contrapartida da medicina, é o que me faz voltar feliz para casa”, conta. 

No entanto, nem todos estão preparados para levar a vida que Nakagawa leva. Para isso, é necessário ter muita empatia, afinal, para entrar em casas de família e é preciso estar preparado entender e respeitar diferentes costumes e religiões.

 

 

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2014-09-17/deixei-o-consultorio-para-atender-os-pacientes-em-suas-proprias-casas.html